Todos sabemos o quanto os partidos políticos são fartos em número de declarações incoerentes. O diz que não diz que disse e voltou a não dizer só tem paralelo no mundo do futebol, meio, diga-se de passagem, que padece de quase todos os males que grassam nas política.
A última, para mim, grave, saiu do Partido Comunista Português, o qual, já depois de há uns anos ter proferido algumas declarações infelizes sobre a Coreia do Norte, voltou à carga, desta vez por causa da atribuição do Prémio Nobel da Paz.
Dizer que a atribuição deste galardão a Liu Chiaobo é mais "um golpe na credibilidade" deste prémio é, além de condenável, uma profunda contradição com a história do PCP.
Este partido, conhecido pelo seu combate incessante contra o Estado-Novo, luta que durou dezenas de anos, não devia de maneira alguma vir agora contradizer o seu passado condenando a atribuição do prémio.
Além de ser uma atitude que tem de tão infeliz como de patética, demonstra o quanto esta força política se mantém ideologicamente estagnada e intransigente, separada de qualquer valor ético e moral. Defender a atitude do governo chinês apenas tem como explicação o facto de este dizer-se comunista, algo que, não sei se Jerónimo de Sousa e restante trupe, já repararam mas que já não corresponde à realidade.
A China é hoje em dia, um país com um sistema híbrido, profundamente capitalista. Digo mais, comparado com a economia chinesa, os EUA possuem uma economia socialista, tal é a falta de direitos e regalias de que os trabalhadores chineses gozam, aliada a uma ditadura que continua a violar os mais elementares direitos humanos.
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