Todos sabemos o quanto o estado administra mal o seu património, seja ele financeiro, humano ou material.
Qualquer empresário fica a rir-se com a falta de gestão dos activos da república por parte do estado. Seja qual for o empresário, este sabe que a ter o mesmo tipo de gestão na sua empresa, esta rapidamente entraria em colapso ou sérias dificuldades.
Imaginam por acaso uma empresa do Grupo Sonae a pagar a formação de um dos seus trabalhadores, a qual ficaria em milhares de Euros e, em seguida, deixa-se esse activo com formação especializada e dispendiosa a abandonar a empresa e começar a trabalhar num concorrente directo ou não?
Imaginam por acaso uma empresa como a Unicer a dar formaçãoa um trabalhador, mandá-lo logo em seguida para a rua para contratar um outro trabalhador com a mesma formação e experiência e que tinha concorrido a esse lugar tendo ficado atrás do trabalhador antes despedido?
Estes casos no sector privado não acontecem. A nível de exemplo, as poucas companhias aéreas que ainda formam, do seu bolso, pilotos ou outro pessoal de bordo, tomam as devidas precauções de que esses activos não saem da empresa.
Ora, em Portugal, e não só, é precisamente o que acontece.
No nosso país não existem universidades privadas que, pela qualidade do seu ensino, justifiquem que um candidato prefira o ensino privado ao público. A única excepção será a tendência para as instituições de ensino superior privadas darem (ou será venderem!?) médias mais altas.
Assim, partimos do principio que os alunos com melhores notas (considerados os mais capazes) entram no ensino superior público. Não estou com isto a dizer que os outros sejam, vá lá, burros, mas sim que os que entram são mais inteligentes segundo os padrões de avaliação do sistema de ensino.
Assim, e com os melhores alunos a entrarem no ensino superior público, o estado prontifica-se a pagar boa parte dos seus estudos. Segundo noticia do Diário Económico sobre um estudo da OCDE o estado gasta 6677€.
Além de custear boa parte dos seus estudos, o estado também controla a qualidade do ensino.
No final de obter o grau académico pretendido o novo "Dr." é colocado no mercado de trabalho e aqui começam as aberrações.
Por exemplo, no caso dos professores, e depois de pagar os estudos à maioria dos candidatos a professores, os quais são ainda por cima os mais capazes segundo o critério imposto pelo próprio estado, este último vai permitir que os candidatos provenientes do ensino privado concorram em igualdade de circunstâncias... Com isto, o estado permite que candidatos cujo ensino não controlou, que não foram capazes de entrarem numa instituição de ensino superior do estado, que tiveram dinheiro para pagar à instituição que lhes deu as notas, passem à frente daqueles a quem o Estado, e por inerência, o contribuinte, pagou o estudo.
Literalmente, isto é atirar dinheiro para o lixo.
Pior ainda, é que comparando instituições de ensino, públicas e privadas, que leccionam o mesmo curso, na mesma cidade, com alunos das mesmas áreas geográficas, sendo que os alunos do ensino público tiveram melhores notas à saída do secundário, estes últimos acabam o seu curso com médias inferiores.
Não sei, mas se eu soubesse que os alunos duma universidade privada têm notas baixas, dificuldade em passar de ano e queixam-se da dificuldade do curso, nunca me sentiria compelido a entrar nessa instituição.
Segundo caso. O curso de medicina será dos mais dispendiosos, sendo que os licenciados em medicina são, por seu lado, dos que têm mais opções disponíveis no mercado de trabalho.
Como referi em cima somo nós, contribuintes, que pagamos os seus estudos. Não na totalidade, é certo, mas na maior parte. E o que é que o Estado faz quando estes terminam os seus estudos? Permite que, numa situação de falta de médicos em certas zonas do país e/ou especialidades, estes fujam do sector público de saúde e vão para o sector privado, apenas para auferirem melhores salários...
É altura de olharmos para o que fazemos e vermos do que o país necessita em termos de mão-de-obra e, acima de tudo, tentarmos rentabilizar o investimento brutal que fazemos na formação dos nossos profissionais.
Eu não estou disposto a pagar os estudos de alguém para que depois eu, enquanto cidadão, enquanto parte do Estado pois dou accionista dele, mandar todo o meu investimento para o lixo.
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